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Nem só de discussões de licença, flamewares, releases de kernel e ativistas sapatênis vive o mundo do software livre.  Às vezes é envolto de mistério também.  Um dos enigmas recentes foi o sumiço da LinuxMall, loja virtual de produtos relacionados com o mundo de software livre e computação em geral.  Era a nossa thinkgeek brazuca.

Uma reclamação de falta de entrega aqui, outra ali, e de repente, o site ficou fora do ar.  Nenhuma explicação, nenhum comentário.  Nada.

Seus últimos posts são de 6 de dezembro de 2013 em sua página no Facebook, e 3 de julho de 2013 no Twitter.  Tentei o contato no telefone e... nada: número chamado não existe.  Possivelmente desativado.  

A LinuxMall, ou seu perfil, era uma figura bastante ativa no meio digital.  Sempre respondendo no twitter, pedindo likes no facebook, e compartilhando fotos no flicker.

O que aconteceu?

Como não existe nenhuma notícia ou comentário, eu acho (então é pura suposição minha) que era um empreendimento de um dono só.  Esse dono deve estar passando por algum problema, talvez doença, que não o possibilite voltar aos negócios. Se não foi algo pior, como um falecimento.

Sempre comprei na LinuxMall, de adesivos a canecas e camisetas.  É realmente uma pena que tenha acontecido algo e simplesmente tenha desaparecido.  Deixa um buraco numa comunidade sedenta por produtos com logotipos do pinguim ou do capetinha.  Perdemos um parceiro na nossa identidade geek.

Ao dono, ou donos, desejo melhoras e que um dia possam voltar aos negócios.

 

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Como todos os anos, esse foi mais um que consegui participar do FISL. Foi uma edição bem atípica por conta da copa do mundo, fazendo com que a data do evento mudasse de julho pra maio.

O resultado disso foi um FISL com menor participação de estudantes e professores, com área menor para palestras, e poucos estandes.

Alguns gigantes do mundo do software livre marcaram presença, como RedHat e Suse, mas outras não apareceram, como Intel e a própria Globo.com. Não que seja algum tipo de boicote, mas muitos eventos foram antecipados por conta da copa, causando esse tipo de efeito.

Mas falando mais do FISL, foi novamente um evento muito legal, onde pude encontrar amigos antigos e fazer novos. E sempre falando do mesmo assunto. E encontrar outros amigos virtuais, com quem só falava via Internet (em geral Facebook, mas só o Anahuac sofre com isso).

Agora resta saber se conseguirei participar no ano que vem.

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Adeus DropBox

Com a recente mudança do DropBox, que permitiu a entrada da Condoleezza Rice em seu quadro de diretores, acho que realmente é hora de dizer adeus.  O site Drop-DropBox deixa isso bem claro:

www.drop-dropbox.com

Apesar de toda gritaria em relação à privacidade, eu sempre fiz uso de armazenamento em nuvem.  Seja do DropBox, seja do UbuntuOne, que também anunciou sua saída desse mercado.  Em geral eu salvo coisas que não exigem privacidade ou sigilo como vídeos do celular, artigos, e revistas eletrônicas, como as revistas Espírito Livre e BSD Magazine, para poder ler depois no tablet.  A única exceção de confidencialidade é que guardo meu chaveiro digital do KeePassX lá, pois preciso que o mesmo esteja disponível em todo lugar.  E espero que a senha pra destravar o mesmo seja suficiente pra garantir minha segurança contra a NSA ou quem quer que seja...

Com esses requisitos na cabeça e um computador na mão, sai buscando alternativas tanto pro DropBox quanto pro UbuntuOne.  Dei uma olhada, claro, no owncloud. O problema dele é ter o servidor disponível.  Eu até poderia usar o desktop de casa pra isso, mas no momento ele está a mais de 10.000 Km longe de mim e meu link com ele é só via IPv6, o que não o torna muito viável pra acesso no meu smartphone e meu tablet.  Então eu ainda preciso de um servidor de terceiros.

Foi quando achei uma recomendação de migração pro Box.Com, que oferece 10 GB de espaço.  Isso seria o suficiente pra acomodar todos os meus arquivos tanto do DropBox quanto do UbuntuOne.  Agora era o segundo desafio: como copiar os dados?

Tanto o DropBox quanto o UbuntuOne têm uma maneira muito simples de replicar os dados: basta instalar o aplicativo e copiar os dados nas pastas designadas pra ter a replicação.  E pronto!  E o Box.Com?

O Box.Com não tem aplicativo cliente pra Linux.  Esse já era um ponto pra descartar, mas... encontrei uma solução até simples.

How to mount Box.com cloud storage on Linux

Com isso, segui os passos e instalei o pacote davfs2, criei uma entrada em ~/Box.Com e fui movendo meus arquivos dos diretórios do DropBox e do UbuntuOne pra ~/LocalBox.Com, em GoodByeDropBox e GoodByeUbuntuOne, pra ir sincronizando as nuvens de que os arquivos foram removidos.  Por que não movi direto pra dentro do ~/Box.Com?

Pelo motivo que essa montagem de dispositivo realmente cria uma partição remota.  Ao "desmontar" a mesma, os dados não ficam acessíveis.  Então só monto a mesma pra sincronizar os arquivos.  Mas existem problemas.  De tempos em tempos aparecem erros no sincronismo, que uso "rsync" pra fazer:

helio@elx3030vlm-78:LocalBox.Com$ rsync -auc GoodByeDropBox ../Box.Com/
rsync: mkstemp "/home/helio/Box.Com/GoodByeDropBox/bin/.DI-524_traffic.pl.51cQSZ" failed: Invalid argument (22)
rsync: mkstemp "/home/helio/Box.Com/GoodByeDropBox/bin/.WGR614v7_traffic.pl.2VEgLG" failed: Invalid argument (22)
rsync: mkstemp "/home/helio/Box.Com/GoodByeDropBox/bin/.admin-linux-br.pJj79O" failed: Invalid argument (22)
rsync: mkstemp "/home/helio/Box.Com/GoodByeDropBox/bin/.adsl_check.py.fNvPNz" failed: Invalid argument (22)
rsync: mkstemp "/home/helio/Box.Com/GoodByeDropBox/bin/.bin2iso.RbTw54" failed: Invalid argument (22)
rsync: mkstemp "/home/helio/Box.Com/GoodByeDropBox/bin/.block_3GRouter.py.0KawJP" failed: Invalid argument (22)
rsync: mkstemp "/home/helio/Box.Com/GoodByeDropBox/bin/.block_3GRouter.py~.6IOAnA" failed: Invalid argument (22)
rsync: mkstemp "/home/helio/Box.Com/GoodByeDropBox/bin/.check-spam-clean.sh.iNFK1k" failed: Invalid argument (22)
rsync: mkstemp "/home/helio/Box.Com/GoodByeDropBox/bin/.check_myip.sh.i1MZF5" failed: Invalid argument (22)
rsync error: some files/attrs were not transferred (see previous errors) (code 23) at main.c(1070) [sender=3.0.9]

E devia ter usado "tar" pra fazer o sincronismo, mas eu não queria ocupar toda banda, pois tenho somente um 1 Mbps de upstream.  E esse é outro problema: não existe nenhum controle de banda pra download ou upload.  Com isso, vez ou outra o link fica inutilizável e a partição simplesmente... morre!  Não é possível nem ler, nem escrever.  Nem "ls" funciona.  E isso acaba exigindo um "kill" no mount pra fechar tudo e abrir novamente.

Por enquanto o sistema está muito, mas muito novo, e sem grandes comparações de melhoria.  Mas há possibilidades.  Com a liberação do código fonte do UbuntuOne, talvez seja possível criar um aplicativo cliente melhor, com possibilidade de verificação de mudança e atualização remota.  Mas isso é apenas suposição.  Nada de concreto até agora.

No momento, o que posso dizer é: adeus DropBox, longa vida ao Box.Com.

Adeus dropbox

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Já dizia Bezerra da Silva: malandro é malandro, mané é mané.

Na Internet não seria diferente.  Eis que chega em casa um boleto de cobrança de um domínio *parecido* com um que administro.  Achei um pouco estranho, pois em geral recebo notificação por mail, e do registro.br.  Claro que é mais um empresário brasileiro tentando dar uma de malandro.

 

A empresa RegistraCom envia um boleto, com um domínio parecido com o seu existente, com os dados da empresa em que foi registrado (e que nunca divulguei) tentando ganhar um registro .com do seu domínio.

O texto dentro do boleto diz o seguinte (os negritos vêm do boleto):

Notificação de registro do domínio: helioloureiro.com
Segue abaixo informações do Registro de domínio, por favor leia com atenção:
Domínio: helioloureiro.com
Titularidade: Empresa LTDA
Cnpj/Cpf: 00001110000000
Conforme nosso contato para atualização dos dados cadastrais, nossa área técnica identificou que o domínio helioloureiro.com (sob extensão .COM) encontra-se liberado para registro. Esta liberação pode ocorrer quando o pagamento não é realizado dentro do prazo, por disponibilidade efetiva de registro ou desinteresse na renovação.
Como indentificamos que Empresa LTDA já possui o mesmo nome helioloureiro.com.br (sob extensão .com.br), é importante que registre imediatamente o domínio (sob extensão .COM) evitando que um terceiro venha registrá-lo.
O valor do registro é de R$ 60,00 por um período de 1 ano.
Após identificarmos o seu pagamento o registro será realizado em um prazo máximo de até 48hs, incluindo a configuração de redirecionamento, ou seja, quando acessado helioloureiro.com o visitante será redirecionado para o site helioloureiro.com.br
Caso não haja interesse, o domínio helioloureiro.com continuará disponível e o mesmo poderá ser registrado por um terceiro a qualquer momento.

Se lido atentamente, é informado que o boleto é um "registro" do seu domínio .COM.  Claro que a intenção é isentar de qualquer acusação, afinal, foi informado o que era.  Mas é nítida a tentativa de golpe, tentando se passar por um registro de domínio legítimo.

Provavelmente quem registra seus próprios domínios, como eu, não cai nesse golpe.  Mas e empresas médias e grandes?  Em geral quem recebe tais boletos é o pessoal de controladoria/contabilidade.  Alguém duvida que o contador da empresa vai perceber essa sutil diferença?  Ou vai apenas pagar o valor, 60 reais, que é irrisório pra uma empresa média pra cima, e nem perceber quando o boleto verdadeiro chegar, e pagar novamente?  Então é claro que o boleto é golpe.

A empresa "RegistraCom", que aparece no whois como pertencente à empresa "WebVisão", ambos registrados pela mesma pessoa, já tem queixas no reclamar.  A resposta, claro, é a mais cara de pau possível.

http://www.reclameaqui.com.br/8647640/registra-com/registracom-tenta-enganar-usuarios-editado-pelo-reclame-aqui/

Esse tipo de golpe já apareceu outras vezes na lista do GTER, da empresa RegistraBrasil.  Mas como aqui é Brasil, terra da malandragem, eis que aparece outro gênio pra arrasar com os manés.

E depois reclamamos dos políticos.  Esses são realmente apenas um reflexo de seu povo.

E esse é o sistema de geração de boleto do registro.br.  Sem fraudes.

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O serviço mais barato

Hoje apareceu essa imagem no facebook (sim, uso facebook e muito) e me fez lembrar de uma situação que aconteceu durante meu período como consultor, quando vivia em Floripa.  É praticamente um conto, mas acho que serve pra ilustrar que algumas coisas não se negociam e, entre elas, o seu valor pelo trabalho.

Como eu vivia em Florianópolis, era (e ainda é) fácil encontrar mão de obra por causa das universidades da região, seja da própria UFSC, seja da UDESC, ou até mesmo da federal de Joinville.  Fácil e farta.  Não faltava gente que não soubesse instalar Linux.  Hoje deve ser mais fácil ainda, já que a instalação é algo trivial.  Mas naquela época eu estava me especializando em fazer migração de servidores que rodavam o Unix SCO pra Linux ou FreeBSD.  Meu predileto era FreeBSD, que era mais fácil de manter que Linux, já que não tinha Internet fácil ou rápida em todo lugar.  E a compatibilidade binária pra rodar SCO era melhor, quer dizer, menos problemática.

Conectiva 4.0

Mas eram épocas de Conectiva, que estava em destaque com seu 4.0.  A caixa preta dava mesmo um visual de superioridade, de diferencial, de estilo de vida, de "sou maneiro, sou réquer", e as pessoas queriam usar Conectiva Linux em seus servidores.  Se não fosse FreeBSD, eu preferia Debian, mas Debian nunca teve o appeal de marketing que uma Conectiva tinha na época.  Eu usava Debian, mas era fã daquele visual do Conectiva.  Era impossível não ser.

Então eu tinha esse cliente, que era uma concessionária de carros.  A concessionária tinha a matriz, em Floripa, e várias filiais localizadas em outras cidades.  Algumas distantes (acho que em Chapecó, extremo oeste de Santa Catarina).  Depois de muito conversar, convencer, negociar, e testar, ele topou a migração de seu sistema de SCO pra Linux.  Foi complicado, pois as filiais eram interligadas via LPCD, uma linha dedicada alugada da empresa de telefonia (TELESC na época) que funcionava via serial em velocidade de 9600 bps ou acima disso, mas não muito.  E nem eram bits por segundo, eram bauds :-D

A configuração do aplicativo migrado do SCO foi bem fácil.  O que me deu muito trabalho foi acertar as linhas seriais, que eram conectadas ao servidor via placa multiserial da Cyclades (alguém lembra disso?).  Em cima da placa eu tinha as conexões ppp, que eram configuradas diferentemente, pois cada LPCD tinha uma característica.  Não era o mais difícil, pois as linhas seriais eram assíncronas, abaixo de 64 kbps, mas não era fácil.

Na época não existia nada formal pra backup.  Unidades de gravação de CD eram caras e, por isso, raras.  Unidades de fita?  Isso era coisa de empresa grande ou universidade.  Então pra contornar o fato do cliente poder fazer alguma barbeiragem com o sistema instalado, eu fazia um backup das configurações do "/etc" usando RCS.  Era tosco, mas funcionava e sempre me livrava do cliente que dizia "mas eu não mexi em nada".  E me salvou inúmeras vezes.

Então veio o dia fatídico.  E esses dias sempre acontecem numa sexta-feira, em geral perto das 5 da tarde.  O cliente me ligou dizendo que tinha tido um "crash" no HD e precisa reinstalar tudo, pois, como eu já descrevi antes, não tinha backup.  Hoje, olhando pra trás, eu sinto que éramos barnabés da informática, pois nem um pendrivezinho tinha pra fazer backup naquela época.  Claro que tínhamos os disquetes de 1.44 MBytes, mas aquilo já ninguém usava.  Pra complicar mais o meio de campo, o cliente ainda avisou que precisava rodar o faturamento na segunda-feira, que era fechamento do mês.

Como de cabeça já imaginei um fim de semana perdido, instalando servidor, reconfigurando e passando o domingo verificando conexão com as filiais, já pedi um valor alto.  Não lembro quanto foi, mas diria que foi uns 3 mil reais.  Como o valor era alto, muito mais que eu costumava cobrar pra esse tipo de atividade, ele me pediu pra pensar, pra comparar preços com outros consultores.  Lembro de ter avisado que tudo bem, mas só ia esperar até perto das 7 da noite e, se fosse embora, não ia mais atender ele durante o fim de semana.

Perto do horário de deixar a empresa e ir pra casa, eis que ele me liga.  Queria fechar comigo o serviço, mas estava muito caro.  Seria possível negociar?  Expliquei pra ele o quanto seria ruim para mim perder fim de semana por causa dele, pela urgência, e tudo mais.  Mas então ele veio com o argumento que determinou a negociação:

- Mas tem um rapaz da faculdade que disse que faz por R$ 300,00.  Não dá pra fazer pelo mesmo preço?  Afinal é só instalar o Linux...

Fiquei calado por uns 10 segundos.  A dúvida é se o mandava à merda, ou alguma outra forma de extravasar o desprezo que surgiu em mim.  Mas respirei fundo e disse:

- Se ele pode fazer por 300, eu não consigo competir com esse preço.  Por favor, faça o serviço com ele.  Fico feliz que tenha encontrado alguém que possa atender melhor que eu, e com valores mais baixos.

E claro que fiquei muito, mas muito puto.  Tanto que lembro da história até hoje.  Mas fechei as coisas e fui pra casa.

Sábado foi um dia tranquilo, com direito à praia, camarão e cerveja.  Domingo não foi muito diferente.  Não muito?  No fim do domingo comecei a receber as ligações do cliente.  Como ele não tinha nenhum contrato comigo, não atendi.

Segunda-feira começou cedo.  Por volta das 7 da manhã ele já me ligava.  Imaginei que estava desesperado, e que algo tinha dado errado, mas muito errado.  Tomei calmamente meu café, enquanto o celular se retorcia em cima da mesa, com o toque em modo vibração somente.

Por volta das 9 da manhã atendi o cliente.  Era catástrofe pura.  Tudo tinha dado errado, o sistema não tinha funcionado, o del não dava del, o windows não fazia windows, o enter não dava enter, e assim por diante.  Perguntou carinhosamente se eu poderia atendê-lo ainda.  Respondi positivamente:

- Claro, mas agora o valor é R$ 5.000,00.

- Mas você tinha dito 3000????

- É que agora eu preciso arrumar a bagunça que ficou aí.  Mas se não quiser, pode procurar outra pessoal.

Eu gostaria de terminar a história com "e ganhei todo esse dinheiro e fiquei super feliz", mas eu realmente não lembro o final.  Eu acho que ele não topou.  Só lembro que nunca mais entrou em contato depois disso.

E eu?  Eu realmente não sinto, até hoje, a menor falta de ter ganhado esse dinheiro.  Mesmo.  Só o fato de ter recebido a ligação na segunda-feira valeu mais que qualquer outra coisa.

 

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