Faz tempo que não escrevo nada sobre a vida aqui.  Então hoje vou falar, ou  melhor, escrever sobre as eleições.  A primeira coisa é a propaganda.  Aqui usam esses posteres de plástico.  Não parece existir uma regra muito específica, então penduram onde é possível.  E tem de prender bem ou o vento leva embora.  Geralmente começam a colocar eles por aí já em agosto.  As eleições oficialmente são em meados de setembro, mas é possível votar antes ou pelo correio ou pela biblioteca de onde mora.  Eu geralmente uso o segundo modo.  E tem a eleição mesmo no dia da eleição, pra quem deixou pra última hora.  Nesse caso, nem tenho ideia de onde é preciso ir pra votar.  Mas por aqui o voto é optativo.  Só vota quem quer.

As eleições então começam em 23 de agosto e termina dia 13 de setembro.  Não lembro se no passado foram as mesmas datas, mas acredito que não.  Lembro que terminou num domingo, como será agora, e que foram filas em todos os locais de votação.  Mesmo podendo votar antes.  E como votar?  Você tem uma cabine, dentro dessa cabine existem fileiras de papéis dos partidos com cores diferentes.

As cores são: branca pra local, a cidade, azul pra região, o que seria equivalente ao estado, e o amarelo é pro parlamento, pra escolher o primeiro ministro.  Cada partido já meio que preparar o papel de voto.  Mas existem papéis só com as cores e você escreve em que partido ou pessoa e partido você quer votar.  Os papéis pronto vêem com os candidatos à cadeira de vereador, deputado regional e deputado do parlamento.  É bizarro porque não tem o nome de um candidato pra prefeito, governador ou primeiro ministro.  Então você pode só votar no partido ou na pessoa do partido.  Quando entra na cabine pra escolher seus votos, você entra com 3 envelopes, como na imagem abaixo:

Cada envelope tem um corte em formato de semi-círculo na parte de baixo.  Isso mostra a cor de papel de voto.  Assim sabem que escolheu um de cada cor, e que são 3, mas não o conteúdo.  Uma vez selados os envelopes, com uma bela lambida na cola de cada um, você leva pro mesário, que registra seu id e colocar os votos num envelope maior, que é marcado via QR-Code como seu.  E vai pra urna lacrada.  Então sabem quem votou, tem o envelope com os votos, mas não sabem quem votou em quem.  Na hora da apuração, só abrem envelope maior, e colocam os votos, ainda em envelopes menores, com os outros votos.  E depois é abrir e contar.

Também é comum durante essa época de eleições pessoas batendo na porta e fazendo campanha pro partido delas.  Geralmente é legal e estranhamente o partido de extrema-direita, que é contra imigrantes, não bate nunca por aqui.  Talvez pra não apanhar.  E não faz falta alguma.

Agora o que acontece depois das eleições?  Mais especificamente depois das apurações terminadas? Então todos as casas legislativas dividem-se em acordos políticos.  Geralmente esquerda e direita.  É possível existir outras divisões, mas geralmente fica entre esquerda e direita mesmo.  Quem tiver maior número de assentos, não o partido mas essa coligação, pode indicar o comandante que assumirá o posto.  Mas não basta só chutar um nome: a pessoa tem de receber 2/3 de aprovação.  Não contam os votos à favor, mas os votos rejeitando o nome.  Se for menos de 2/3, temos um novo prefeito, ou novo governador ou novo primeiro ministro.  Quando isso é feito?  Assim que terminam de contar os votos.  Se terminam no domingo mesmo, já acontece na segunda.  E é tudo um acordo de cavalheiros e damas, porque não existe nada na lei ou constituição pra dizer quando um governo começa ou termina.  Legal que a coisa é bem imediata.

O que acontece se não chegarem num acordo de nome?  Daí tem de chamar uma nova eleição.  Isso quase aconteceu um tempo atrás.

E assim são as eleições daqui.  Não tem a modernidade de urnas eletrônicas, mas funcionam e são, acima de tudo, opcionais.