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A guerra dos 100 dias

11:55:20 up 100 days, 0 min, 43 users, load average: 1.22, 0.83, 0.84


Finalmente meu laptop, de uso diário e pessoal, quebrou a barreira dos 100 dias de uptime. E o que isso quer dizer?  Nada, e ao mesmo tempo, várias coisas. Mas significa que estou trabalhando sem interrupções por 100 dias.

Fazia tempo que eu não tinha um uptime maior que 30 dias, quanto mais de 100.  O problema não era específico, mas um conjunto deles.  O que mais afetava o tempo em que a máquina funcionava sem interrupções (leia-se travamentos) era o driver de vídeo Intel.  Invariavelmente o Xorg apresentava um crash por conta dos efeitos 3D do KDE com o plasma-desktop.  Tentei de tudo, inclusive desabilitar os efeitos e até mesmo parar de usar o KDE, mas o crash de xorg sempre me encontrava.

Contudo vários esforços ocorreram em várias frentes e paralelamente, como sempre acontece no mundo do software livre.  A equipe do Xorg melhorou o driver Intel, o KDE, com o lançamento do 4.7, criou uma forma de contornar esse crash, deixando o ambiente plasma muito mais estável e, por fim, a equipe de kernel trabalhou na melhoria do driver framebuffer e DRM pra Intel.

Esse conjunto de melhorias deram um resultado excelente, visível pelo tempo em que o laptop está funcionando sem parar.  E olhe que o uso é intenso.  Faço desde desenvolvimento de software até apresentações pra clientes, inclusive utilizando 2 monitores (em geral uma televisão).  Tive alguns problemas nesse percurso, como uma sobrecarga no xorg, que levou o KDE a cair, mas nada que um reinício do serviço gráfico não pudesse resolver, sem precisar rebootar o laptop.

Em geral tenho trabalhado de forma consistente, fechando e abrindo o laptop, sem reiniciar o trabalho que tinha parado anteriormente.  Isso garante um ganho de produtividade muito bom, pois já vejo em que ponto eu estava da última vez e continuo dali pra frente.  Nada de reabrir documentos e procurar onde foi a última linha editada, nada de reabrir ambientes de desenvolvimento, nada de reiniciar minhas conexões SSH pra máquinas em que trabalho via VPN, já que faço isso automaticamente via script, que só detectam a queda do link e reiniciam a conexão.  Fecho o laptop na sexta-feira e reabro na segunda, como se tivesse parado pra um café.

Então quando se vê um uptime alto, não estamos falando somente de tempo se desligar a máquina mas a produtividade que isso proporciona.  Claro que existe um lado egocêntrico de falar no tempo sem desligar ou sem reboot, que vem da cultura de sysadmin, onde o maior uptime significa (ou ao menos significava) um servidor bem ajustado e configurado, mas isso é quase insignificante em relação ao benefício do trabalho ininterrupto.

E você?  Já chegou aos 100 dias ou isso ainda é um fardo pra sua produtividade?

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